INSTALAÇÃO ARCH LINUX - PARTE 1


Para dar uma folga aos estudos, mostrarei aqui como instalar a distro Arch Linux. Embora seja uma distro voltada para desktops, muitas pessoas pensam que sua instalação é igual ao Debian e seus derivados, ou até mesmo que exista um instalador gráfico, e, ao se depararem com a instalação toda em linha de comando, se assustam e desistem de usar essa excelente distribuição.


Arch Linux não é um bicho de 7 cabeças

É comum vermos em blogs e matérias pela internet que o Arch Linux é complicado, difícil de usar etc. Primeiro tem que se entender a filosofia das distros: existem distros indicadas para usos específicos e cabe acharmos a que queremos para a nossa finalidade. Distros mais comerciais/populares como Ubuntu e até o facílimo Linux Mint são recomendadas para uso caseiro, estação de trabalho.

Quando o foco é estabilidade para servidores, temos as opções como o Debian, que também tem versão para desktop, CentOS, Red Hat.

Com relação ao uso caseiro/trabalho, peguei só 2 exemplos de distros com essa finalidade pois são as mais comuns entre os usuários hoje. E se você quer trazer alguém para usar o GNU/Linux, o ideal é que esses sistemas tem que ser amigável para o usuário. 

Rolling Release não é Rolling Stones!

Esses sistemas tem um ciclo de desenvolvimento e suporte, chamado de LTS, Long Term Support. Isso quer dizer que o suporte e desenvolvimento dessas distros por parte dos mantenedores oficiais tem um período, geralmente de 5 anos.

E o Arch? Bom, o Arch Linux tem como característica o desenvolvimento contínuo, conhecido como Rolling Release. Isso quer dizer que sempre existe uma única versão do sistema em constante desenvolvimento e que é entregue aos usuários por meios das atualizações. Aí você pergunta: "- Mas o Debian, Ubuntu, Mint, Fedora não fazem assim?" Sim, fazem. Porém é feito de forma diferente. Os sistemas mencionados antes, entregam atualizações de segurança, novos pacotes inseridos nos repositórios, correção de pequenos bugs etc, a medida que erros ou alguma falha de segurança seja encontrada. Para liberar as versões mais novas, os mantenedores/desenvolvedores trabalham com versões de testes em paralelo para que, ao final do suporte das versões LTS, seja lançada uma nova versão, com todas as melhorias de correções incluídas e grandes mudanças no sistema, como por exemplo, uma nova versão de ambiente gráfico.

A grande vantagem do Arch Linux é que ele sempre trabalha com pacotes atualizados. Como por exemplo, nesta instalação que irei mostrar, o sistema já está usando o Kernel mais atual (até este momento) que é o 4.3. E como gosto muito do ambiente gráfico Gnome, o repositório do Arch já trás a última versão do mesmo, a 3.18.

Uma outra vantagem é a velocidade do sistema, praticamente sem gargalos. Para quem usa Ubuntu e já levantou uma modesta VM no Virtual Box sabe do que estou falando. Em parte, essa velocidade se dá por causa da quantidade de pacotes instalados. Como no Arch Linux você instala tudo na munheca, em vez de um gerenciador gráfico instalar pacotes que você nunca vai usar, o sistema fica leve e enxuto. Lembre-se: KISS - Keep it Simple, Stupid!

E a instalação "Stupid"?

Pois muito bem, vamos para frente pois já enrolei demais. Vou instalar o Arch Linux em VM usando o Virtual Box. As configurações da VM são bem modestas: 

  • Disco rígido de 10GB 
  • Memória de 1 GB
  • 1 placa de rede habilitada em Modo Bridge

Em seguida, ou antes, tanto faz, baixe a ISO do Arch Linux no site oficial nesse link. Escolha a opção "Dual Iso".























Verifique se a máquina está com IP e se está pigando para a internet

ifconfig
ping www.google.com

Para evitarmos chatices, configuraremos o teclado com o comando loadkeys br-abnt2

O próximo passo é particionar o HD. Usaremos o fdisk e criaremos apenas 2 partições: a partição principal (/) e a partição SWAP.

Dê o comando fdisk -l para verificar o nome e o endereço do disco rígido


















Agora vamos criar o particionamento

fdisk /dev/sda

Estaremos dentro do programa onde poderemos criar, excluir partições, definir tamanho da partição, o tipo etc.


Digite na ordem as teclas:
n - para criar uma nova partição
p -  para criar uma partição primária.
1 - para identificar o número da partição. Enter atribui o default, que é 1

Em seguida de Enter na opção "First Sector". Depois, em "Last Sector", digite o tamanho da partição. No meu caso "+8G". É preciso do sinal de +.

Agora a partição swap.
Digite na ordem:
n - para criar uma nova partição
e - para criar uma partição estendida
2 - para identificar o número da partição

Em "First Sector", tecle Enter. Em "Last Sector", tecle enter também para o sistema atribuir os 2 GB restantes para a swap.

Agora vamos mudar o tipo da partição 2 para swap. Ainda na tela do fdisk, tecle t e em seguida:
Partition Number (1,2) - tecle 2
Partition type - digite 82, que é o código da partição swap

Sua tabela de partição deverá ficar parecida com a figura abaixo.



















Em seguida aperte w para salvar as alterações e sair do particionador.

Formatar e ativar a partição swap

Digite os comandos:
mkswap /dev/sda2 (partição definida como swap)
swapon /dev/sda2 (ativar a partição swap)

Formatar a partição principal e definir um sistema de aquivos

Digite:
mkfs.ext4 /dev/sda1

Montar e instalar o sistema base

mount /dev/sda1 /mnt
pacstrap /mnt base base-devel

A instalação demora alguns minutos, pois ele vai baixar alguns arquivos da internet.

Gerar o fstab

Para gerar o arquivo fstab, digite:
genfstab -U -p /mnt >> /mnt/etc/fstab

Agora vamos usar o comando chroot para terminar de configurar o sistema.

arch-chroot /mnt /bin/bash

Edite o arquivo de configuração do teclado

vi /etc/locale.gen

e procure pela linha #pt_BR.UTF-8 UTF-8 e descomente-a. Basta tirar o #.
Salve e saia do arquivo. Para isso, digite :x e dê enter.

Vamos definir o idioma padrão agora. Digite:

echo LANG=pt_BR-UTF-8 > /etc/locale.conf

Configurar a localidade

Vamos criar um link simbólico com o fuso do seu estado. Basta escolher a sua localidade. Para uma lista das localidades disponiveis, digite: ls /usr/share/zoneinfo/America 

ln -s /usr/share/zoneinfo/America/Fortaleza /etc/localtime

Configurar o nome da máquina

echo nome_da_maquina > /etc/hostname

Caso sua internet não funcione ao ter mudado para o chroot, digite o comando abaixo para habilitar o dhcp:

systemctl enable dhcpcd@nome_interface_de_rede.service

Para saber qual o nome da interface de rede, digite:

ip link
O resultado pode ser algo como eth0, enp0s3..

Criar a senha de root e um novo usuário. Digite:

passwd e dê enter. Em seguida digite sua senha de root.

Para criar um usuário em seguida, digite:

useradd -m -g users -G wheel -s /bin/bash jaspion

onde:
-m - cria o diretório /home para o usuário
-g users - grupo primário. É o que vai permitir que o usuário gerencie seus arquivos e pastas criados por ele próprio
-G wheel - atribui o usuários a outros grupos já existentes
-s /bin/bash- indica o shell padrão do usuário
jaspion - nome do usuário

Instalando o grub

pacman -S grub-bios
grub-install /dev/sda (Você verá uma mensagem de "Installation finished. No erros reported.")
grub-mkconfig -o /boot/grub/grub.cfg

Após os comandos, digite exit e em seguida reboot. Retire a iso do drive de cd do Virtual Box e inicie pelo HD. Você verá a tela do grub igual a imagem abaixo.




















E a tela de login.




















Pronto. Agora estamos com o sistema base instalado. No próximo post vou tratar da pós instalação e da instalação do ambiente gráfico.








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